domingo, 24 de julho de 2011

Prof. Luís Amaro de OLiveira

Do Prof. Luís Amaro, que conhecemos pessoalmente e com quem convivemos ficou-nos a excelente imagem dum verdadeiro colega, generoso, de postura bem-disposta, embora ele fosse mais velho quase 30 anos. A sua delicadeza era natural mas do mais elevado grau.
O Dr. Luís Amaro, como todos o identificavam, nasceu em Braga, na Quinta de S. Tecla, a 7 de Julho de 1920.
Concluiu a licenciatura em Filologia Românica na Universidade Clássica de Lisboa onde foi aluno de Vitorino Nemésio, Delfim Santos e Jacinto do Prado Coelho. Foi amigo pessoal de Sebastião da Gama.
A sua actividade lectiva, desenvolveu-a em várias escolas, sendo a última delas (1965-1990) a Escola Secundária de Eça de Queirós, ex-Liceu Nacional da Póvoa de Varzim. Faleceu em 16 de Janeiro de 1991.
Para a história da literatura, deixou um trabalho de investigação biográfica original sobre Cesário Verde. Na área da didáctica, distinguiu-se por ter preparado edições escolares de várias obras literárias que gerações quase inteiras de estudantes portugueses manusearam.
O Dr. Luís Amaro integrou o conhecido Grupo do Régio, que se reunia num café da Póvoa de Varzim, o Diana-Bar. Nesse grupo figuraram personalidades como o próprio Régio, Manuel de Oliveira, Agustina Bessa-Luís, etc.
A Escola Secundária de Eça de Queirós homenageou o Dr. Luís Amaro de Oliveira com a publicação dum livro intitulado Reencontro com o Dr. Luís Amaro de Oliveira, o professor, o amigo e colocou-o como patrono da sua biblioteca.
O nome deste professor figura no Dicionário dos Educadores Portugueses e na Infopédia.
Para o livro com que a Escola Secundária de Eça de Queirós o homenageou, escrevemos então este pequeno texto:


O que mais admirei no Dr. Luís Amaro foi a sua delicadeza, em especial para com os colegas mais jovens, como era o meu caso. Não havia nisso fingimento; era uma atenção natural, que mais acentuava em nós o respeito que lhe dedicávamos. Consultei-o muitas vezes sobre temas do nosso ensino comum.
Mas sentia-se que uma mágoa funda lhe turbava o feitio prazenteiro, dado a convívio.
Não é muito o que sabemos sobre o Dr. Luís Amaro de Oliveira. Mas com ele, ao longo de uma boa dezena de anos, na Escola donde saiu para a reforma e por isso não o esqueceremos facilmente.
O trabalho que mais lhe honrou o nome foi com certeza o que realizou sobre Cesário Verde. Este original poeta oitocentista, apesar do interesse que por ele teve Fernando Pessoa, caminhava, ao que parece, para um apagamento imerecido, quando um trabalho do Dr. Luís Amaro, a ele dedicado, deu contributo importante para o trazer à tona do interesse da crítica. Os seus estudos sobre este poeta vêm citados no Dicionário de Literatura que o Prof. Jacinto do Prado Coelho dirigiu e também na História do Literatura, de António José Saraiva e Óscar Lopes.
Jacinto do Prado Coelho atribui algures também ao Dr. Luís Amaro o mérito de ter sido o primeiro a valorizar aspectos da Mariana do Amor de Perdição. Aliás, esse ilustre professor teve noutras ocasiões palavras de muito apreço para o Dr. Luís Amaro.
Em colaboração com Feliciano Ramos, publicou o Dr. Luís Amaro, nos anos sessenta, ao menos duas volumosas antologias literárias, das primeiras com certeza que a juventude teve ao dispor. Mas os seus trabalhos com maior divulgação escolar terão sido os que dedicou às Viagens no Minha Terra, ao Frei Luís de Sousa, ao Amor de Perdição, aos Maias, à obra de Cesário, e que tornaram o seu nome familiar a várias gerações de estudantes portugueses.
Embora este sumário da sua obra possa ser injusto por breve e incompleto, já dele se pode concluir alguma coisa. Por exemplo: ele esteve, desde muito cedo e quase em exclusivo, ao serviço da juventude escolar; o seu nome projectou-se por todo o espaço nacional; outros terão deixado livros, mas ele não os deixou menos; não se serviu do Ensino Secundário como trampolim para outros voos (tendo mesmo recusado um convite do Dr. António Cruz para ir ensinar para a Faculdade de Letras da U.P.).
A acabar, permitimo-nos sugerir a conveniência duma palestra por pessoa idónea desse conhecimento de toda a dimensão do seu legado intelectual. Seria esta a mais digna, a mais justa e mais prestimosa homenagem que os seus admiradores lhe poderiam prestar.

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